“Afetividade em ambientes virtuais de aprendizagem”
Os membros desse blog, professores de diferentes áreas de ensino, criaram esse espaço visando, em primeiro lugar, a interlocução entre os interessados, pesquisadores, estudiosos ou apenas curiosos em relação ao tema afetividade nos ambientes virtuais de aprendizagem. A ideia de explorar e refletir sobre esse assunto surgiu a partir de um curso de pós graduação que estamos fazendo na escola em que trabalhamos. O primeiro módulo foi Tecnologia aplicada à educação e no decorrer das atividades propostas, observamos diferentes reações e manifestações de sentimentos e emoções das pessoas em relação ao contato com o ambiente virtual de aprendizagem Moodle. Essa experiência nos direcionou à leitura sobre o assunto, e resolvemos começar lendo um material já conhecido, por alguns membros do grupo, que explora a relação entre afetividade e aprendizagem nos ambientes presenciais para depois buscarmos outro contexto, no caso o virtual.
Nossas primeiras reflexões sobre o assunto
Depois desse primeiro momento, resolvemos montar um vídeo com depoimentos de alguns professores do curso. Nossa intenção foi identificar e apresentar as manifestações afetivas de alguns professores em relação à sua participação no espaço virtual de aprendizagem. Entrevistamos 5 professores e solicitamos que relatassem suas experiências, sempre levando em conta os sentimentos e as emoções vivenciados desde o primeiro contato com o ambiente virtual até o desenvolvimento das atividades propostas. Conversamos individualmente com cada professora e gravamos os depoimentos.
A faixa etária variou de 22 anos a 54 anos. Tivemos a intenção de ouvir professores com diferentes idades, pois observamos, durante o curso, que os professores apresentavam reações diferentes frente ao espaço de aprendizagem e que, normalmente, algumas posturas e reações estavam vinculadas à idade. Dessa forma, consideramos pertinente trabalhar com uma amostragem que levasse esse fator em consideração.
Convidamos esses professores a participarem e todos agiram de forma interessada e gentil, demonstrando satisfação por colaborar com esse trabalho.
Aproveitamos esse espaço e a oportunidade para agradecer a disponibilidade com a qual participaram.
A partir das falas dos professores, é possível fazer algumas inferências, destacando os sentimentos e emoções que apareceram com maior freqüência, principalmente no primeiro contato com o ambiente virtual; nesse sentido, destacamos o estranhamento, o medo, a sensação de incapacidade e o desespero frente ao ambiente. Essas manifestações foram encontradas nos sujeitos acima de 40 anos. Tais professores relaram o “choque” que sentiram num primeiro momento, diante da novidade que lhes era apresentada, e certa inquietação ao se darem conta da rapidez com que a informática evolui, sendo necessária a atualização constante dos conhecimentos. Além dessas manifestações, sinalizam, também, certo conforto ao verificarem que vários alunos do curso relatavam experiências e sentimentos semelhantes, provocando um sentimento de identificação. Esses professores apontam a necessidade da presença do outro para solucionar suas dúvidas bem como para fortalecer sua identidade no grupo e a superação de suas dificuldades.
A experiência das pessoas com 22 anos é diferenciada, principalmente no primeiro contato, em que relatam certa familiaridade com o ambiente utilizado, o que a princípio não gera as sensações apontadas pelos outros participantes. Esses sujeitos apresentaram alguma dificuldade em relação à realização de atividades mais complexas sem o auxílio de um instrutor.
Uma das professoras, na faixa etária de 40 anos, relatou que não ficou apreensiva com a participação nesse espaço de aprendizagem. Mostra gostar, não se sente insegura ao explorar as ferramentas e já possui experiência nessa área. Essas características evidenciam a facilidade que apresenta e reforçam sua relação de bem estar com o ambiente virtual.
Observamos um sentimento comum de bem estar entre os entrevistados que aparece no momento da troca de informações com outros colegas, tanto na elaboração de atividades, quanto na tentativa de familiarização com as ferramentas tecnológicas disponibilizadas no curso. Essa interação, no sentido de buscar auxílio, esclarecer procedimentos e dividir angustias ocorreu tanto na forma presencial quanto virtual.
Houve também o sentimento de satisfação ao verem o resultado do trabalho proposto, e a perspectiva de usar o que foi aprendido para uma maior aproximação com os alunos e colegas, sem, no entanto, dispensar o contato humano. O computador seria, então, o propiciador de um relacionamento até então inexistente, a exemplo dos fóruns de discussão, onde várias pessoas se fizeram conhecer através da exposição de suas idéias, gerando opiniões e sentimentos nos outros participantes, ou o ampliador de um relacionamento já existente.
As entrevistadas e nossas observações nos revelaram que o contato humano é necessário, é insubstituível; mas, com certeza, essa experiência mostrou-se muito desafiadora e ampliou nossa visão acerca das possibilidades existentes num ambiente virtual de aprendizagem.
Grupo Afetividade